Cuidados com a pele em idade pediátrica – Diário Viseu

Cuidados com a pele em idade pediátrica
Sónia Coelho
Dermatologista no Hospital CUF Viseu
Vivemos numa sociedade na qual as preocupações dos pais com a criança e o seu bem estar são crescentes. A diversidade de informação veiculada nos diversos meios de comunicação exponencia as dúvidas dos cuidadores, aumentando assim o interesse e necessidade de esclarecimento com temas como os cuidados com a pele dos mais novos.
Guiar os pais nas rotinas cutâneas diárias, que se pretendem seguras, simples e eficazes, é sem dúvida, uma estratégia de saúde importante, com impacto significativo na sua vida adulta, dada a construção de associações positivas relativamente ao bem estar e equilíbrio deste grande órgão que nos reveste. Contribuem para a saúde da pele, não só os cuidados cutâneos locais e a relação cautelosa com o sol, como também a hidratação oral e uma dieta equilibrada, rica em vegetais, frutas e lípidos saudáveis.
Sabemos que algumas práticas enraizadas na cultura e comunidades locais podem comprometer a saúde da pele das crianças sendo importante a existência de recomendações médicas gerais.
A pele é a primeira linha de proteção e no caso dos mais novos caracteriza-se pela sua maior fragilidade, dado ser mais fina, menos capaz de reter água e mais sensível comparativamente à pele do adulto. Estas características tornam-na mais suscetível a alergénios, irritantes e alterações de temperatura, motivo pelo qual deve haver a preocupação dos cuidadores em evitar ambientes termicamente hostis e o contacto com substâncias potencialmente irritantes e alergizantes.
Os objetivos fundamentais são a limpeza suave da pele, a proteção da sua função barreira e a evicção da maceração das pregas e do contacto com substâncias potencialmente agressivas.
Recomenda-se o banho diário em todas as idades pediátricas e alturas do ano podendo, eventualmente, em zonas do globo muito frias, realizar-se em dias alternados. Os mesmos devem ser preferencialmente de duche, no máximo de 10 minutos com água tépida evitando ao máximo temperaturas elevadas. Deve usar-se um óleo ou um syndet líquido, por não alterarem a barreira cutânea nem o pH ácido da pele, ao contrário dos sabões que são totalmente desaconselhados. A pele deve ser bem seca após o banho, idealmente com toalha aquecida nos meses frios, seguida da aplicação imediata do creme emoliente, que irá “selar” a mesma, permitindo prolongar a hidratação fomentada pelo banho, reforçando assim a barreira cutânea e prevenindo o aparecimento de dermatoses. Em pele com patologia não se aplicam emolientes devendo seguir-se as recomendações médicas.
Outro elemento a considerar diariamente é a proteção solar por intermédio de vestuário e recorrendo a fotoprotetores que devem ser aplicados meia hora antes da exposição, renovando a cada duas horas. As formulações em gel e muito líquidas são desaconselhadas pela sua menor eficácia bem como aquelas compostas por fragrâncias e outros ingredientes menos seguros. A escolha entre filtros químicos e minerais não é linear sendo determinada pela idade e tipo de pele da criança.
A comunidade dermatológica tem alertado para o crescente relato de adolescentes que utilizam um elevado número de produtos nas suas rotinas diárias, alguns com composições desaconselhadas para a sua idade e tipo de pele, podendo condicionar acne cosmético, dermatites periorais e outras patologias. A recomendação é o recurso a poucos produtos sob orientação médica, sobretudo em caso de dermatoses associadas.
É frequente a procura pelos pais de aconselhamento médico especializado, em consulta de Dermatologia Pediátrica relativamente aos cuidados quotidianos com a pele dos mais novos. Estes são facilmente assimiláveis pelos cuidadores e com o crescimento da criança também executáveis pelas mesmas. Esta simplicidade será a base da adesão e de uma percentagem crescente da população com uma pele saudável e cuidada.
